1 – Informações sobre endereços IP

Muitas casas de apostas ao vivo online têm um forte departamento informático por detrás, para que saibam a qualquer altura quem é que está ligado e a apostar no site. Isto serve também para que consigam imediatamente desligar as múltiplas contas que muitos apostadores profissionais têm, registando padrões de apostas, bem como os valores e a frequência das mesmas. Há até mesmo casas de apostas que utilizam o Google Earth para verificar a veracidade de alguns endereços físicos, ou até mesmo para tentar avaliar o valor de um potencial apostador.

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2- Reuniões mensais

Alguns apostadores começaram a trabalhar por exemplo para a Betfair. Para justificarem os seus salários, passam algum tempo a discutir e a tentar arranjar explicações para contas que tenham chamado a sua atenção. Tipicamente, uma reunião mensal acontece e o assunto é basicamente os 100 principais ganhadores e perdedores desse mês. Para todos os que apareçam na lista, há questões a serem colocadas. Estão a fazer apostas de arbitragem? Conseguem lucrar consistentemente? Apostam numa ampla gama de mercados ou especializam-se? Todos estes factores são amplamente considerados e qualquer pessoa que viole estes requerimentos irá ser severamente restrita.

A grande maioria das empresas de hoje em dia têm uma mentalidade muito simples, e tentam trocar ou restringir os apostadores em vez dos mercados. É bastante simples restringir a conta de alguém e torna-la o que se chama Conta 10% (para que basicamente os seus ganhos sejam apenas 10% da Odd dos eventos) ou mais comum ainda, passar a conta para 1%, no caso de apostas de arbitragem – em termos práticos, isto equivale a fechar a conta para todas as intenções e propósitos.

3- Aliciação com produtos de margens elevadas

A indústria das apostas está cheia de produtos de margens elevadas. Hoje em dia, a ideia é vendê-los ao cliente e fazer com que o maior número de pessoas aposte nesses mercados. É bastante mais fácil pagar 200,000€ a uma equipa de desenvolvimento de software para que crie um tipo popular de roleta do que contratar e manter uma equipa de apostadores profissionais com 4% de lucro na Betfair. Para quê preocupar-se com pequenas margens de lucro quando podem ser criados mercados onde o lucro é garantido e extremamente alto? Os pontos fundamentais das apostas mudaram com o tempo, e as casas de apostas tentam explorá-las ao máximo.

4- Modificar as Odds em eventos nos quais é lucrativo

Assim como os apostadores ficaram mais sofisticados, também as casas de apostas continuaram com essa evolução. O apostador matinal em corridas de cavalos rapidamente repara que as odds são muito baixas (odds favoráveis à casa), mas que à tarde, quando o mercado já foi estabelecido e a Betfair já tem as odds “correctas”, que pode apostar tostões para ganhar milhões. Há empresas a contratar licenciados directamente após a universidade para gerirem as suas odds e fazerem apostas, e apesar de valiosa, nem sempre há muita confiança na sua ajuda, dada a sua inexperiência.

Um jogador lucrativo em apostas de corridas pode apenas apostar 20% em corridas de cavalos, mas praticamente quantias ilimitadas na Premier League (onde o mercado é forte e os preços são simplesmente definidos pela oferta e procura). As grandes casas de apostas tornaram-se muito boas nesta abordagem, direcionando o tráfego do seu site para os desportos onde as suas margens são maiores, utilizando desportos menores como as primeiras opções de aposta. A Bet365 por exemplo, foi a pioneira nesta abordagem.

5- Troca de informações e conversas telefónicas

O mundo de hoje já não é tão pequeno como outrora foi. Com firmas espalhadas em Malta, Costa Rica e Gibraltar por razões fiscais, é cada vez mais fácil a troca de informações entre as várias casas de apostas:

“Temos aqui um apostador com ganhos de 15,000€ no futebol, teve sorte ou está a fazer apostas de arbitragem?”

“Sim, ele também está com ganhos de 18,000€ aqui e já o reduzimos para 10%.”

Ou talvez uma conta de apostas relacionada com certos estábulos:

“Sim, de cada vez que ele aposta num cavalo ele acaba por não conseguir terminar a corrida… Já está a 10% e precisa de apostar muito para lucrar agora! Para além de que fez 30,000e de lucro em futebol na Sky no passado ano, o que quer dizer que talvez esteja a apostar por alguém.”

Todas estas conversas, possivelmente condenáveis eticamente, são parte integrante de muitos departamentos de gestão em firmas. As redes sociais são também frequentemente utilizadas para analisar a natureza de certas contas (e a sua veracidade).

6- Apostas de arbitragem? Vão acabar consigo

Quando trabalhei na indústria, com uma grande casa de apostas spread, o ganho máximo dos apostadores costumava ser 30,000€ antes de serem restringidos/discutidos. Isto era considerado justo, e tomava-se bastante tempo para perceber se o apostador era apenas sortudo com astuto, a apostar nos preços “errados”, do ponto de vista da casa de apostas. Esses dias já lá vão. Os vencedores consistentes não são tolerados pela maioria das casas de apostas…

Em geral, as casas de apostas já não pretendem entreter e dar ao cliente a melhor experiência possível. Pelo contrário, pretendem obter a maior margem de lucro possível da maneira mais eficiente. O facto de ser um ganhador já não interessa muito quando comparado com a paranoia super-zelosa das casas de apostas sobre os apostadores de arbitragem. Os apostadores são rapidamente atacados por contabilistas se houver a mínima suspeita de quaisquer ganhos exagerados.

7- Os apostadores ocasionais são os melhores

Para todas as casas de apostas, procurar apostadores “de fim-de-semana” é a melhor oportunidade de lucro. A crescente curiosidade pelas apostas e aquele tipo de apostador que apenas quer apimentar os jogos do seu clube ou o “apostador de múltiplas ao Sábado” são a cereja no topo do bolo das casas de apostas. Atraídos por odds promocionais, apostas gratuitas ou ofertas de retorno, são quem dá às casas de apostas grande parte do seu lucro operacional – para além de que há imensos esforços das mesmas para manter esta fiel base de apostadores.

8- Preços directamente relacionados com trocas

Uma das maiores empresas de apostas não tem quaisquer funcionários para definirem as odds dos eventos. Na verdade, tem algoritmos que seguem as odds da Betfair e oferece odds automáticas ligeiramente inferiores às da Betfair, o que leva a milhares de mudanças de odd nestes eventos desportivos, oscilando de acordo com o mercado da Betfair. Apostas de arbitragem são totalmente impossíveis neste site, e é esse precisamente o objectivo desta técnica.

A automação poupou milhares de euros às casas de apostas. Para além disso, em eventos onde podem ser feitas múltiplas apostas durante o mesmo, como é o caso do ténis ou do futebol, criou imensas oportunidades de aposta que caso dependessem inteiramente de humanos, seriam completamente impossíveis. A Bet365 foi mais uma vez pioneira neste ramo, e especialista em atrair aquele euro só por diversão do apostador, garantindo risco mínimo e lucro máximo para a casa de apostas.

9- O fim dos especialistas

Esta automação trouxe consigo o fim dos especialistas. Há 20 anos atrás, qualquer casa de apostas necessitaria de uma opinião especializada e fundamentada, quer do desporto quer do mercado, para que pudesse colocar a odd de um determinado evento. Precisava de saber quais as corridas ou jogos que terão um maior volume de apostas, e onde seria relevante oferecer odds mais competitivas ou onde jogar pelo seguro. Hoje em dia, as casas de apostas pagam algo ligeiramente superior a trocos para recém-licenciados meramente supervisionarem os algoritmos que geram as odds das apostas. Não são nada mais do que meros operários actualizando os valores das odds. Nem todas as companhias se desfizeram dos seus especialistas, mas a maioria destes trabalhadores com profundo conhecimento da empresa e dos mercados de apostas foi obrigada a colaborar com os novos valores, ou ir para a rua – acções como usar as odds da são muito mal encaradas nestas casas de apostas.